Rogério Ceni dificilmente voltara a ser técnico do São Paulo algum dia

Identificado com o clube, ídolo incontestável da torcida, campeão da Série B com o Fortaleza e sem contrato assinado para 2019. Com tais credenciais, Rogério Ceni poderia ser colocado no topo da lista de todos dos candidatos a assumir o comando do São Paulo na próxima temporada. No entanto, após a queda de Diego Aguirre, o ex-goleiro nem sequer teve o seu nome cotado pelo departamento de futebol tricolor. O principal motivo para tal postura é o relacionamento ruim entre o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros, o Leco, e o ex-goleiro.

A diretoria optou pela promoção do auxiliar André Jardine nos últimos cinco jogos do time no Campeonato Brasileiro. Caso ele tenha um bom desempenho, será mantido no cargo. O executivo de futebol do clube, Raí, é um dos principais incentivadores do gaúcho, de 39 anos. Apesar do excelente trabalho nas categorias de base do Tricolor, o técnico ainda enfrenta a desconfiança de alguns dentro do clube pela falta de experiência. Por isso, ainda não há uma certeza de que ele vai ser o comandante em 2019.

O UOL Esporte ouviu pessoas próximas a Rogério Ceni e integrantes do departamento de futebol são-paulino e confirmou que o ex-goleiro não deve nem sequer ser chamado caso Jardine não triunfe. Mesmo em alta no Fortaleza após a conquista da Série B, sua renovação de contrato é dada como incerta. O treinador quer garantia dos dirigentes cearenses de que vai ter um time para brigar no pelotão dianteiro da elite do nacional. Uma reunião será realizada nos próximos dias e, caso a conversa não agrade Ceni, ele e sua comissão técnica vão procurar outro clube.

Além do ex-goleiro, o Fortaleza conta com o preparador de goleiros Haroldo Lamounier, o assistente Nelson Simões, o supervisor técnico Charles Hembert e o preparador físico Danilo Augusto – todos com passagens pelo Tricolor. Até mesmo pelo carinho que o ex-goleiro nutre pelo São Paulo, um retorno ao Tricolor não é totalmente descartado, mas a relação com Leco é tão desgastada a ponto de fazer com que essa possibilidade seja encarada como quase nula.

Mágoa vem de 2017

Aos ser demitido em julho do ano passado, Ceni se sentiu traído. Ainda quando dirigia o time, ele passou a não compactuar com as atitudes da diretoria. As transferências de jogadores, como Thiago Mendes e Luiz Araújo, irritaram o ídolo. O ex-goleiro acredita ter sido utilizado como uma espécie de garoto-propaganda de Leco em sua campanha para a eleição presidencial, em abril. Após o treinador deixar o clube, o dirigente isentou a cúpula de qualquer culpa pela queda de resultados do time e chegou a criticar o ex-goleiro. Os dois também trocaram farpas em outras ocasiões.

Em entrevista ao UOL Esporte, em agosto do ano passado, o pai de Rogério, Eurydes Ceni, já achava improvável uma volta do filho ao Morumbi até o fim do mandato de Leco. “É difícil ele voltar ao São Paulo com o presidente até 2020. Ele demitiu e dificilmente vai querer ver ele voltar. Afinal, se eu sou dono de uma empresa e demito alguém, por que vou querer recontratá-lo?”, questionou, na ocasião. Até hoje, a situação parece não ter mudado.